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Uma história de empreendedorismo com sabor de cajuína

  • ailacultatende
  • 15 de mai. de 2022
  • 5 min de leitura


No ano de 2018, seu Chico Soares, agricultor familiar entusiasmado, principalmente pelo cultivo do caju e da mandioca, mesmo com pouca terra, celebrou 100 anos de vida na região da Lagoa de São João, em Aracoiaba, interior do Ceará. Os filhos Silvanar, Itamar e Luciano, ofereceram então aos convidados um coquetel inusitado, regado à beiju, comida à base de farinha de mandioca e cajuína, bebida de caju, produzida por eles mesmos na casa de farinha da fazenda.

“Deu muito trabalho, mas conseguimos realizar com sucesso tal proeza e todos gostaram muito, chegando ao ponto de algumas pessoas, como o Dr. Eudoro Santana, pai do Governador Camilo Santana, naquela mesma noite, manifestar interesse em comprar para levar”.

Silvanar, hoje um dos principais idealizadores da bebida genuinamente cearense, diz que apesar do interesse das pessoas a quantidade produzida foi pouca, apenas 400 litros pois não tinham a estrutura.

Seu Chico, no entanto, vendo que o precioso líquido havia agradado, passou a incentivar os filhos para uma produção maior e que desse para comercializar e em 2020, a casa de farinha passou por uma adequação, com aquisição de equipamentos e insumos necessários para um maior volume de produção em escala comercial (espaço físico, moinho, filtros, garrafas, tachos de cozimento), por intermédio de um financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura (PRONAF).

Em meio à pandemia, seu Chico adoeceu e os filhos precisaram voltar suas atenções para cuidar do patriarca. Na maratona entre clínicas, consultas e exames, descobriu-se um câncer de bexiga, em estágio avançado. A cajuína teve que ficar em segundo plano.

Mesmo doente, Chico Soares incentivava os filhos para não desistir do propósito da fabricação da cajuína, ideia que o alimentou até o dia 25 de agosto de 2020, há 27 dias para celebrar seus 102 anos, quando ele veio a falecer.


Yes, nós temos cajuína!

Sem seu Chico, mas com o entusiasmo mantido, era hora de retomar as atividades. “Atrasamos o início da produção, mas ainda assim conseguimos produzir 5 mil litros, que nem conseguimos vender, por causa das restrições impostas em função da pandemia (o prejuízo foi quase que total). Mas não desistimos e nem perdemos a esperança”. Comenta Silvanar.

Com a boa safra de caju em 2021 a produção foi elevada para 13 mil litros e dessa vez, com uma qualidade ainda melhor e com cajus orgânicos. Mas, faltava um detalhe importante: a certificação, um registro junto ao Ministério da Agricultura, tanto para o empreendimento, quanto para o produto. Vencida mais etapa, nascia então, de forma comercial, a Cajuína São João.

“O nome Cajuína São João, recorre ao nome do lugar, Lagoa de São João e as bandeirinhas do rótulo, remetem às festas juninas, que são muito fortes na comunidade. Uma festa que vem se tornando cada vez mais popular, que coincide com a ‘Festa da Colheita’. Uma ação religiosa, popular e cultural, que a cada ano vem se efetivando como tradicional. Particularmente, sou devoto de São João Batista, tanto pela sua autêntica e profética pregação na missão de precursor de Mestre Jesus de Nazaré, como pelas festas populares serem tão animadas e envolverem toda a comunidade, artistas e o povo em geral, em torno de uma fogueira para celebrar a vida, a colheita, a alegria de ser nordestino”. Relata o produtor.

Atualmente a unidade produção de caju, para a fabricação da Cajuína, continua localizada no espaço onde antes era a casa de farinha de seu Chico Soares, sendo que parte da estrutura foi adequada para a nova atividade, bem próximo da represa do Açude Aracoiaba.

A equipe de produção é formada por Silvanar Soares, Itamar Soares, Elizangela Soares, Elias Silva, Eliane Pereira, Izaías, Dedé, Abelardo e Welington. Segundo o produtor nos meses de julho e agosto a equipe se desdobra adquirindo, transportando, lavando e armazenando garrafas. Em setembro, outubro e novembro, a dedicação é na colheita do caju e no processamento para a fabricação e no restante do ano, na busca por mercados para a fazer com que a cajuína e outros produtos que comercializam cheguem a outras localidades.


Parceria, sim – que nem caju e castanha!

Sabendo da importância de criar parcerias, os irmãos Soares buscaram informações sobre caminhos estratégicos com relação à comercialização junto ao grupo Alquimista da Caatinga, que produz cervejas e outras bebidas artesanais, dentre eles, um espumante de caju.

Desta parceria, surgiu o apoio financeiro e institucional da Moeda Sementes, uma fintech brasileira que facilita transações que já ultrapassa US $100 milhões por ano em todo o mundo e tem de 100.000 usuários globais.

Com um empréstimo para o custeio da produção e expectativa de renovação este ano, os idealizadores da Cajuína São João buscam agora o certificado como produto orgânico com o apoio da Fundação Cepema, de Sobral e da Rede EcoCeará, que integra agricultores e agricultoras, consumidores, e organizações pela promoção da agricultura agroecológica desde 2017.


Mas... o que é mesmo uma cajuína?

“Uma boa cajuína, apresenta características bastante fáceis de serem reconhecidas a ‘olho nu’, pois apresenta uma cor amarelo âmbar, quase que transparente, sem a presença de elementos sólidos. Disponível em garrafas de vidro transparente, dispostas em diversos tamanhos”. Detalha Soares.

Rica em vitamina C e A que beneficiam o sistema imunológico, prevenindo gripes, resfriados, a cajuína combate sintomas do estresse, além de beneficiar a pele e agir na proteção dos nossos olhos contra a catarata ou a degeneração macular, servindo, inclusive, como ajuda a quem faz quimioterapia, reduzindo as ações dos radicais livres gerados pela medicação e impedindo que o medicamento tenha ação oxidante, o que diminui o seu efeito.

Estudos recentes realizados pela nutricionista Daniella Chein, formada em Nutrição Clínica pelo Centro Universitário Bennett, no Rio de Janeiro, confirmaram que a cajuína protege o DNA celular, de acordo com. Além disto, segundo a profissional, dentre os componentes da cajuína, existe a presença de minerais como cálcio, fósforo e ferro, que agem como fortalecimento para os ossos, dentes e músculos, combatem a anemia e agem em busca de um coração saudável e do bom funcionamento das funções cerebrais.

Orgulhoso, Silvanar Soares enaltece, claro a sua cria: “A Cajuína São João - O sabor que brota da natureza é um produto de excelente qualidade, produzido com o suco do caju, clarificado e tratado termicamente de forma artesanal e familiar. É rica em diversos nutrientes existentes na fruta e essências à vida e todas são mantidas, pois o suco envazado in natura, é cozido em banho maria. Quem bebe a Cajuína São João, bebe natureza, bebe saúde, bebe trabalho dedicado, bebe cultura, bebe história, bebe vida... bebe O sabor que brota da Natureza.” Com uma história destas, quem duvida?

Apesar dos esforços o grupo ainda não tem uma logística adequada para a distribuição do produto, mas para adquirir a Cajuína São João, os interessados devem entrar em contato com Silvanar Soares Pereira pelo telefone (85) 996046224, que também é WhatsApp.

“De acordo com as possibilidades, a gente dá um jeito de entregar. Principalmente em Fortaleza e região Metropoitana. Estamos buscando parcerias com amigos de outros estados, que estão dispostos a colaborar conosco, numa parceria comercial”. Finaliza.

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© Por Caio César Muniz.


 
 
 

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