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Sempre detestei fardas

  • ailacultatende
  • 1 de mai. de 2022
  • 1 min de leitura

Por Vinícius Campelo Pontes Grangeiro Urbano

Ocupante da Cadeira nº 12 da AILA.



A padronização das roupas sempre me pareceu chatas. Por que tão branco? Por que tão parecido? Por que sapatos e não chinelos?

Parece que se inscreve ali uma tentativa do igual, como se esse fosse possível, uma tentativa do puro, como se esse não fosse nocivo. Mas para além das fardas físicas, existem também as fardas simbólicas, que fazem a ilusão da igualdade do pensamento, da pureza do pensamento.

Espaços repletos de trajes intelectuais, de trajes narrativos, é como por na boca o intragável. Soa por vezes o triste de ver inscrito a abdicação de si, o rebolo de tudo aquilo que diz de um singular, que diz de uma história de vida.

E diante disso, o que fazer? Raul Seixas, em uma de suas várias letras escreve: "Eu sou a mosca que pousou em sua sopa". Ser a mosca que pousa no puro e o deixa impuro, ser a mosca que desforma e retirar o igual nem que seja por um mísero instante.

As moscas nas sopas são aquelas que dizem “não” a esse ato de fardamentação da vida, são os sujeitos que insistem em seguir sobre suas ideias e experiências, que demarcam o impuro e o não igual nos lugares.

São sujeitos moscas que permitem que a vida humana continue na sua pluralidade de formas e gostos. São àqueles que causam a mudança e trazem a reinvenção.

Então, um viva a todas as moscas disposta a pousarem no puro das ideias e defecar na farda dos iguais.

 
 
 

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