Os quadros das palavras
- ailacultatende
- 14 de jun. de 2022
- 1 min de leitura
Por Vinícius Campelo Pontes Grangeiro Urbano
Ocupante da Cadeira nº 12 da AILA.

A escrita é um dos marcos da cultura humana. Ela é a reserva do talhar sobre a história, é os quadros dos eventos, tantos reais como fictícios.
Escrever é por em andamento algo sem destino, algo que não se sabe do fim, e muitas vezes não se sabe do seu começo.
A frase inicial pode muito bem ser a mesma no final, como um andar que deu voltas no mundo e vai descrevendo os entornos sem se preocupar em voltar para o ponto de saída, que agora já não é mais o mesmo.
Assim, todo texto é um quadro que vai se pintando sem se compreender a imagem final, sem saber se ali surgirá o horizonte de uma manhã ou um céu noturno.
É preciso estar pronto a saltar o vazio, quando se inicia uma escrita. Saltar sem os materiais de segurança, saltar como quem tem medo, mas mesmo assim saltar.
Esse é um processo de coragem. Coragem em desvendar o íntimo, de se perder em si, de expor a si. A palavra para ganhar intimidade com o mundo deve antes estar em intimidade com a quem a desenha, com quem a bordeia nos papéis. Não é possível ser covarde e escrever.
Para os quadros da escrita pintarem os cenários de uma alma é necessário antes de tudo usar das tintas das emoções, dos pincéis das experiências, da veemência do salto no vazio de si.
Resgatar no âmago e voltar como quem quase perde o ar buscando, desesperadamente, mais um pouco de oxigênio ante um mergulho.












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