O Genivaldo nosso de cada dia
- ailacultatende
- 29 de mai. de 2022
- 2 min de leitura
Por Caio César Muniz
Presidente da AILA
Ocupante da Cadeira nº 21.

Ainda está rendendo o assassinato de Genivaldo de Jesus dos Santos (grande ironia), por agentes da Polícia Rodoviária Federal numa câmara de gás improvisada no camburão da viatura. Mas, assim como tantos outros, já, já cairá no esquecimento. Nem foi o primeiro, nem será o último agredido por forças de segurança que deveriam proteger o cidadão.
A chacina da Vila Cruzeiro ainda fede, 25 mortos, gente ruim, mas também gente inocente, mas a polícia jamais irá admitir o seu despreparo, a sua falta de habilidade e a sua voracidade em matar, principalmente pobre e preto.
E antes que me atirem a primeira pedra, não. Não estou demonizando a polícia, sim, ela é necessária, mas ou ela muda a sua postura segregadora urgentemente ou não sei. Se Genivaldo fosse um rico, branco, morador de Alphaville teriam os agentes agido da mesma forma truculenta e brutal? Eu, por exemplo, ainda tenho a corporação da PRF noutra conta, acredito, espero sinceramente que estes assassinos sejam uma exceção dentro da corporação.
Ao mesmo tempo, em menos de um mês, quatro agentes mostraram um amadorismo sem precedentes para homens com treinamento diferenciado, dois deles, inclusive, sendo vitimados por um cidadão em situação de rua que conseguiu, pasmem, desarmar um dos policiais e usar a arma contra eles. Uma lástima também. Como não poderia deixar de ser, o atirador foi morto por um policial à paisana.
Por trás da farda há homens, mas às vezes não parece haver humanidade. Genivaldo de Jesus foi vítima e nem vou falar nos dois pesos e duas medidas aplicados pelos agentes quando de tantas infrações cometidas por um certo “representante do povo”. O uso do capacete (ou a falta dele), não é motivo para matar, muito menos de forma tão cruel.
Por sorte, haviam câmeras que registraram o fato, mas, neste exato momento, em algum lugar deste país adoecido, outros Genivaldos estão penando nas mãos da “lei”. Yes, nós temos os nossos Georges Floyds, sim, nós temos Genivaldos todos os dias.












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