No Dia do Poeta, eis os iracemenses!
- ailacultatende
- 20 de out. de 2022
- 3 min de leitura

São muitas datas que se relacionam ao fator da escrita a se celebrar, de vez em quando faço este levantamento, mas que ao final só me deixa um sentimento, o de que a escrita não tem dia.
Neste emaranhado de datas temos: 14 de março (e também 31 de outubro) como Dia da Poesia, 21 de março é o Dia Mundial, mas 1º de agosto é Dia do Cordel, que também é poesia; HOJE, 20 DE OUTUBRO, celebra-se o Dia do Poeta, apesar de que em 19 de outubro ser o Dia do Cordelista, que também é poeta e 25 de julho é Dia do Escritor, sendo que o poeta também é um escritor.
Assim, celebrando o hoje, reunimos alguns poetas de Iracema, certos de que há muitos ainda a ser descobertos, papel nosso, da Academia Iracemense de Letras e Artes (AILA). Viva os poetas, daqui e de todos os cantos.

ESCRITA
(Hélcio Santos)
Escrevendo digo coisas
Que tentando dizer não consigo
Minhas letras são afoitas
E os versos combinam comigo
A vida me fez poeta
E essa doçura secreta
Me fez seu melhor amigo.
Chorando as vezes escrevo
Sorrindo escrevo também
Em maus dias me atrevo
A escrever pelo bem
Que quando chega, me anima
E vou assim, de rima em rima
Rimando pelo que vem.
Nas muitas linhas da vida
Sigo como um sonhador
A rima na minha lida
É como um sonho de amor
É remédio que salva e cura
Acesa, é esperança pura
Que encerra qualquer temor.

HISTÓRIA DE PESCADOR
(Carla Paiva)
Do livro "As sombras na sala de estar".
quando o céu clareava após dias de tempestade
os destroços eram arrastados em silêncio
pelo chão da casa
enfiados pela goela
digeridos em mentiras
sufocados no travesseiro
chuva fina no telhado
era a voz que suave me dizia:
acredite, não haverá mais tempestades.
eu adormecia sobre a promessa de um dia não mais sangrar.
mas vinha as nuvens
e o claro céu escurecia
a voz suave transformada em trovoadas
a voz suave clareando raivosa o céu escuro
a voz
suave
contando mentira.

MATANÇA!
(Caio César Muniz)
Viva o agro, que é pop,
Terra infértil, nada aflora,
Manda brasa no veneno
Que se dane fauna e flora.
Tem veneno na comida,
Nem o verde é natural.
E aprovaram mais veneno
Tudo em prol do Capital.
Muita grana no Senado,
Pra votar a podridão,
Os apaches e os capachos
Agro vis desta nação.
Tem veneno no estuário,
Água podre para o pobre.
Pro chefão, a mineral,
Perfumosa, rica, nobre.
Polui rios, mar e céu,
Terra e tudo em prol da grana.
Que desgraça esta raça
Malfadada, inumana.

VIDA
(Vinícius Campelo Pontes Grangeiro Urbano)
Esforço
Parede
Chão
Destruição
Desconstrução
Reconstrução
Areia
Brita
Cimento
Massa
Suor
Tijolos
Pilha
Força
Mãos
Horas
Dias
Meses
Tempo
Vida
Morte
Amor
Ódio
Exclamação
Interrogação
Vírgula
Ponto final.
Começo
Meio
Fim.
Ciclo.

A SAUDADE
(Paulo César Guerra)
Numa noite embriagado pela a saudade
Andei desnorteado a procura de ti
Com o meu peito despido e alma nua
Atravessei a solidão do dia e as horas sem fim da madrugada
A cada calafrio a sua imagem à minha frente
A cada estrela o seu olhar
E como a relva que cobre a terra desnuda
O seu cabelo é o véu que cobre o meu rosto
E a sua presença é como a claridade do luar
Ah, homens sábios e poetas não sabem revelar
O que senti quando passei a te amar
Quando me perdi na intenção de te achar
Sem volta eu fui sem querer voltar
Acompanhado com a sua beleza e olhos firmes
O seu silêncio se fez em mim morada
Com ele eu converso, brinco, danço e o provoco
Querendo quebrar o silêncio do seu silêncio
A fim de ganhar um beijo da sua alma
Resolvi fazer as pazes com saudade
Que ela olhe pra esse poeta sem maldade
Que de vez em quando ela não seja tão cortante
Ao ponto de me deixar perdido sem órbita
Como a solidão de um planeta errante
Quando a saudade apertar e for gritante
Acompanhe o vento como os veleiros no mar
O vento saberá onde estarei te esperando
Quando o vento perto de ti passa assobiando
São meus versos e canções que pra ti eu canto.












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