Encontros e reencontros
- 26 de abr.
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Por Henes Dácio Urbano Muniz.
A vida sujeita aos seus viventes encontros mil. Alguns desagradáveis, outros que bem poderiam perdurar por longos dias de verão, água de coco, praia, sol, num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, exclamou o cancioneiro. Seriam essas horas prazenteiras pra os que se encontram esses tempos venturosos.
Pois bem, assim foi pra o simplista autor dessas linhas parecidas com garranchos de Jurema dias interessantes de vivê-los integralmente.
Há um conceito hedonista que diz:
"Comamos e bebamos porque amanhã morreremos". Era simbolicamente entendido entre os discípulos de Epicuro, que diz que devemos aproveitar cada instante com todo o empenho possível, porque o amanhã não saberemos o que faremos, se é que viveremos o amanhã.
A vida é uma grande dádiva, e assim, vivê-la é a melhor coisa.
Nessas muitas idas e vindas ao qual estamos sujeitos, coube-me viver três dias numa gangorra na capital desse estado do Ceará.
Ali fui para rever um amigo de infância. Alguém que já não via há pelo menos 26 anos ou mais.
Mas debaixo do sol surgem aventuras até para quem não gosta delas, e foi assim vivido o aguilhão dos encontros e reencontros iguais aquela vara que fustiga o boi pra o arado.
Ali fui pra casa de um amigo, irmão e companheiro na aflição, na paciência, no reino e no amor fraterno. Já era por si só, juntar a fome com a vontade de comer por causa do prazer que foi reencontrá-lo, mas...
Mas há reencontros desagradáveis como o ferrão do maribondo caboclo, e ali houve um exército de marimbondos ferroadores. Reencontrei-me com coisas que já nem achava que veria, se não na tv ou coisa assim.
A violência das ruas nas grandes cidades. Tiros, sustos, correria, fuga, aperreio aperreado no mesmo pacote.
A terror das tuas avenidas.
Um rapaz solitário e alegre.
A loucura do tráfego.
A rotina da cidade que nunca dorme.
As prisões que alucinam.
Uma enumeração de reencontros esquecidos.
O olheiro.
Um cão que ladra,
Os sons, às luzes e o assombro.
A mulher que dorme no peito do amante.
As conversas frívolas.
Os pombos que voam.
Cânhamo a meretriz estonteante.
A serpente sinuosa,
Uma canção a galope a beira mar.
Nunca mais quero reencontros dessa trágica comédia humana a que todos são expostos.
Mas, é melhor caminhar por estradas com menos solavancos, e assim reencontrei o meu amigo na calçada tomada por bicicletas que iam e vinham parecidas com máquinas futuristas, enquanto se abria o baú das vivências esquecidas pelo tempo longevo.
Não sei se me perco ou me encontro, nessa condição de um homem comum, sim, igual aquele que passa, lá longe, anônimo e apressado.
E eis que subitamente acho um abalroamento que me leva pra dentro daquilo que chamávamos "favelas".
Vielas estreitas.
Povos esquecidos.
Casebres.
Gente!!!
Levaram-nos para esses lugares enriquecidos mesmo nas suas pobrezas.
Ali, entre becos sem saída, havia grandes estradas pavimentadas a preço da humildade, hospitalidade, altruísmo e respeito dignos de uma nota canhestra para tentar explicar o hábil morador daquela casinha modesta e aprazível.
A despensa está cheia até quando tá vazia.
Vozes, sorrisos, abraços.
Encontrei-me quando me perdi.
Meus pés não sabiam onde estavam.
Bom que fosse assim.
Naquela casa fomos recebidos por pessoas indescritíveis na sua bondade.
Um baião sobre a mesa.
Uma cadeira.
Meninas brincando.
Gente bonita.
Um peito que bate
Uma oração.
Simplicidade.
Tesouros escondidos
Purezas reveladas.
Sim, entre encontros e reencontros furtivos a vida nos espera até a próxima esquina.

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