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Discurso de posse de Vinícius Campelo Pontes Grangeiro Urbano na AILA

  • ailacultatende
  • 28 de mar. de 2022
  • 4 min de leitura

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Senhoras e senhoras, boa noite,


Existem muitas coisas que para quem avista um corpo só em um palco, não alcança, por mais que este corpo seja um corpo tão alto quanto o meu. O que não alcança o olhar para este corpo solitário em um palco é o que o constitui, ou seja, os símbolos, signos e signicantes de sua história, aquilo que o forma, que faz ser o que se estar sendo hoje.

E este meu corpo que traz a palavra neste instante, é e foi atravessado pela sorte de nascer em um seio familiar com pais afetuosas e carinhos, que viram na educação o caminho a se seguir.

Mas falar sobre meu pai, Tonny Henry Grangeiro Urbano, e sobre minha mãe, Anni Raquel Pontes Campelo, como o lugar da marca é também trazer a vocês o amor que se entende dentro de um seio familiar como caminho para uma formação. E, no entanto, quero falar também de outra formação, que foi importante também para que hoje eu ocupasse esse lugar aqui, na frente dos senhores e das senhoras. Uma formação de suor, e nela não se pode deixar escapar os nomes dos meus companheiros de luta que aqui estão: Paulo César Guerra de Carvalho, Joab Henrique Araújo e meu amigo de mais sonhar D'angels Maia Chaves. Juntos descobrimos que a cultura e a arte não são apenas um instrumento de fotos para uma festa ou um lugar de evento em uma noite qualquer. Cultura e arte são resistências e lugar da comunhão. Só existe cultura e arte enquanto ato de comunhão e partilha com o outro. Isto foi o que aprenderam nas fantasias e sonhos de adolescentes. Que descobriram juntos os possíveis e impossíveis da luta. Lutamos e fizemos revoluções, vimos uma adolescente chorar de felicidade ao receber livros de um nosso projeto, escutamos uma adulta querer voltar a estudar depois que participou de nossas aulas.

Fechamos ruas e saímos às ruas para lutar pela democracia no “vira voto”, fomos e somos sonhadores que sabem que “sonho que se sonha, junto vira realidade”. Também não posso deixar de falar do nosso parceiro, que sempre apostou na força de nossa juventude. A nossa asa da cultura, a Associação Cultural Filhos da Terra, que mais que nunca sempre nos deu as mãos quando os demais nos disseram que isso era só o efêmero da juventude.

Sem o Ponto da Cultura não seria possível fazer essa cultura de luta e ato de corpo que fazemos durante todos estes anos.

Não seria possível compreender que estar enquanto cultura popular é estar enquanto ato de luta e resistência e não por acaso que esta união ganhou o nome de “Resistência Poética”.

Diante disto, assumir a cadeira de Tia Neci Magalhães Grangeiro neste lugar, me revigora. Ela que era a marca da luta, luta pela sua classe, luta pela educação do seu povo. Sempre à frente das marchas na capital e no interior. Tia Neci Magalhães Grangeiro pede para que quem assuma o seu lugar lute como ela, lute como a mulher que ela foi, como a guerreira que ela foi.

No registro também de ser o mais jovem diante da constituição da nossa Academia, ressalto a vocês que será sempre essas marcas que virão comigo, marcas de uma família que me apoiou e me apoia sempre, me dando a importância que é o amor e o amar.

Marcas do suor feito em ato com meus irmãos e irmãs de sonhos e que querem fazer ato de luta como a antigamente fora o da dona desta cadeira. Sei que aos poetas sempre foi dado a expulsão social. Desde da República de Platão, onde a poesia é conhecida no seu perigo de encantar os mais jovens e fazer eles quererem sentir e amar.

E é por isto que eu e os meus fomos marginalizados por muito tempo, mas continuaremos nessa posição, querendo fazer adolescentes chorarem de felicidade por ganhar livros e fazer adultos recuperarem o caminho da educação. Só sou porque sou em coletivo. Só sou porque sou em história de encontros e desencontros com sujeitos de luta. Só sou enquanto luta e vontade de cultura e arte. Se tornar um corpo emponderado pela cultura e arte popular é isto. O registro dos signos de uma história viva que só se pode enquanto sociedade/coletividade. Ser atravessado e atravessar através do afeto das marcas de um povo e fazê-las resistir e seguir em mais gerações.

Registrar no espaço cotidiano os elementos do belo de ser enquanto rracemence, de ser enquanto ator de luta pela cultura e arte de um povo.

É olhar para as paredes de uma esquina e saber sobre as palavras que lhe repousam, é olhar para uma um cenário e saber da biodiversidade que ali já repousou. É escutar os sons da chuva sobre as calhas e imaginar o sorriso nos olhos de todo um povo.

Saber sobre a cultura enquanto luta é entender porque insiste o mato em quebrar o asfalto para nascer, ou porque a vegetação cinza insiste em abrigar vida e aflorar em vida no menor sinal de esperança.

Mas acima de tudo, é saber de tudo isto e repassar para os próximos toda esta mística que existe neste olhar que ver recantos de histórias vivas, que sabe retirar das fendas da calçada o belo e que sabe que resistir é em ato de corpos que insistem em querer ser em querer sonhar com amanhã possíveis.

Por fim, como diria o poeta, é “aprender a ler para ensinar meus camaradas”. Agradeço a todos e todas por me ouvir.


Abraços e tenham uma boa noite.




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Vinícius Campelo Pontes Grangeiro Urbano possui graduação em Psicologia pela Universidade Potiguar (2019), atualmente é mestrando do programa de Ciências Sociais e Humanidades da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), membro pesquisador do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Cultura e Sociedade (GCOM) e do Grupo de Pesquisa do Pensamento Complexo (GECOM). Realiza trabalhos dentro da Psicologia Clínica e Psicanálise; Metodologias de Ensino e Aprendizagem e Arte/Poesia na Cotidianidade. Psicanalista e amante da Cultura, faz um trabalho consolidado em Iracema ao lado do grupo “Resistência Poética” há 8 anos, realizando eventos como, primeiro sarau literário, Feira das Profissões, Sarau na Rua, Poesia na Cidade e entre outros. Na AILA, passou a ocupar a CADEIRA Nº 12, que tem como primeira ocupante Maria Necí Magalhães Grangeiro e Deolina Pimenta Silva Oliveira como patronesse.


Iracema, 26 de março de 2022.

 
 
 

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