Arte, Democracia e a Ausência dos Novos Nomes
- ailacultatende
- 5 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Helcio dos Santos
Ocupante da cadeira n° 10 da AILA - Academia Iracemense de Letras e Artes.

No dia 21 de setembro, milhares de brasileiros ocuparam as ruas em todo o país contra a anistia aos que atentaram contra a democracia no fatídico 8 de janeiro e contra a chamada PEC da Blindagem, que busca alterar o artigo 53 da Constituição, ampliando privilégios e dificultando a responsabilização de deputados e senadores.
Nas ruas, a política se encontrou com a cultura. No Rio de Janeiro, a presença da “santíssima trindade” da música popular brasileira, Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso, deu o tom da luta em defesa da democracia, acompanhados por vozes como Lenine, Marina Sena, Maria Gadú e Djavan. Em Salvador, Daniela Mercury puxou a multidão com seu trio elétrico, transformando música em palavra de ordem.
Mas o que chamou a atenção foi também a ausência. Em muitos lugares, não se viram os nomes que arrastam multidões para estádios e arenas, aqueles que sobrevivem do afeto da grande massa e ocupam o topo das paradas. O silêncio dessa geração de “novos famosos” expôs uma lacuna: onde estão os verdadeiros influenciadores da cultura e da opinião pública quando o Brasil mais precisa?
A música brasileira sempre foi trincheira e palco da luta popular. Dos festivais dos anos 1960 à redemocratização nos anos 1980, artistas ajudaram a moldar consciências e a fortalecer a esperança. Hoje, parte significativa da nova cena cultural parece distante desse compromisso.
Defender a democracia não é apenas tarefa de juristas, jornalistas ou políticos. É também missão dos artistas que falam à alma coletiva e que têm a capacidade de transformar sentimentos em ação. A ausência de muitos deles não pode passar despercebida.
É hora de a atual geração rever seus gostos, suas referências e seus compromissos. Que influenciadores queremos para inspirar nosso futuro? Que artistas merecem ser ouvidos quando a democracia está em jogo?
Mais do que hits passageiros, precisamos de vozes que ecoem a soberania do povo e a defesa intransigente do Brasil democrático.












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