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Antônio Calado

  • ailacultatende
  • 29 de mai. de 2022
  • 2 min de leitura

Por Vinícius Campelo Pontes Grangeiro Urbano

Ocupante da Cadeira nº 12 da AILA.


Toda cidade tem suas figuras marcantes, não por honrarias, títulos e demais marcas sociais que servem para lustrar os dentes, mas por peculiaridades de um modo de ser que demarcam ali algo outro dos demais viventes.

Um destes sujeitos verdadeiramente digno de ser posto como ilustre, é Antônio Calado. Antônio Calado é uma figura simples. Um sertanejo simples. De andar curvado, como marca daqueles que não tem tempo para brilhar sorrisos sobre eventos caros, pois a vida se dá na labuta, no sol, junto a terra, e não longe dela, mas próxima, sentindo-a nas mãos.

Antônio Calado, conserva mistério em seu quase silêncio. De onde vem Antônio Calado? Que história tem? Quais amores atravessaram seu coração? De quem é filho?

Será que Antônio Calado é semi-calado por causa de um grande amor? Será que suas palavras baixas existem devido lágrimas, daquelas lágrimas que usurpam nossa voz?

Antônio Calado, era e ainda me é um mistério. Junto dos seus animais eu o vejo atravessar as ruas. Paciente. Calmo. Mesmo tendo um peso da vida sobre suas costas. Mesmo tendo os jovens que o enchem. Antônio Calado continua calmo, e em seu mundo de semi-dizeres.

Antônio Calado deve não saber, por ninguém talvez realmente ter lhe dito, mas Antônio Calado é uma das verdadeiras marcas do povo Iracema, ele é a suma representação do sertanejo que vive sobre o sol, que luta pela vida, e mesmo assim ainda saí sobre sombarias de crianças. Que é isolado pelos outros, mas ganha a companhia dos cachorros que o seguem por toda as ruas. Que luta, mesmo na velhice, como alguém que tem anseio de vida. Que tange seu gado, como muitos vem tangindo toda a existência.

Antônio, é semi-calado aos humanos que o atravessam, mas é falante ao mundo e a natureza. Cercando por seus animais ele exerce sua intimidade, conta suas coisas e faz pequenas conversas íntimas. Apenas os animais e a natureza, por certo pelo fato de haver semelhante pureza, são dignos de seus diálogos.

Antônio participa do mundo para longe das telas. Participa de uma realidade viva aonde o vento lhe toca o rosto, aonde a vida vai acontecendo. Seu semi-silêncio o protege desse mundo efêmero das mídias digitais. Antônio ainda vive no mundo onde o tempo é vagaroso como seus passos. Um mundo onde a pressa não é bem-vinda.

Uma vez tive a oportunidade de vê-lo e falar. Foi uma fala rápida. Pedi para tirar uma foto, ele tímido aceitou. Sorriu não só com a boca e os olhos, mas como uma alma de criança. Pediu para olhar, agradeceu e saiu sobre um mundo onde a poesia acontece a cada instante, um mundo onde o vento ainda sopra aos ouvidos algo além de vento.

 
 
 

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