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A que serve a palavra?

  • ailacultatende
  • 22 de mai. de 2022
  • 2 min de leitura

Por Vinícius Campelo Pontes Grangeiro Urbano

Ocupante da Cadeira nº 12 da AILA.


Se debruçar e pensar no mundo é se deparar com um processo de linguagem. A nomeação das coisas, dos objetos, dos arredores, tudo ou quase tudo, vai passar por um verbo, mesmo que seja um verbo que indique "eu não sei o que falar".

Desse modo, a palavra, a linguagem, vai sendo nossa interação com a existência e suas operações de vida e morte. A palavra vai virando cimento, tijolo, tinta, telha e até as frestas na formação do sujeito no mundo.

Assim, a palavra vai servindo para nosso estar no mundo, vai servindo para servir e deservir. Para criar, recriar e demolir as formações que nos fazem se sentir ligados, conectados e desconectados com as coisas.

É por ela que nomeamos o amor, o desamor. Por ela escrevemos cartas e mandamos e-mail. A palavra opera a música, a dança, o ritmo social. Mas também opera o sofrer, a queda o desamparo.

Entrar na linguagem nos exige muito, nos exige ter de sofrer e se angustiar por não saber dar nome ao que se sofre, ou dar o nome mas mesmo assim continuar sofrendo, como se ali não existisse remédio.

Ela nos apreende a situações e pessoas, que ali depositavam palavras afetivas. Com a palavra se paga o corpo, que vai sofrendo do verbo, do verbo que diz "dor desviada", "dor nas juntas".

Mas o preço que se paga por estar nela não diz só do ruim da palavra, mas do bom, do bom de escutar "eu te amo" pela manhã, do bom de poder dizer "eu te amo" pela manhã.

O bom de ler, o bom de musicar o mundo, o bom de saber que se sabe que se existe, por mais que esse saber não seja todo e por vezes ele esbarre no não-saber.

Estar sobre a linguagem é poder fazer da vida e da morte, algo que para além do biológico, é poder fazer versos, mundos, (uni)versos.

Poder operar e realizar na vida o processo de narrá-la, o processo de ser fazer história, de se fazer humano. O verbo humanifica o mundo. Se primeiro veio o verbo é porque ele opera outra coisa que não só aposta, é porque ele articula um entendimento, mesmo que breve de "eu", por mais delirante que seja, mas é nesta precisão que faz a palavra a serventia do humano.

 
 
 

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